Cristãos sem Jesus?!

O cristão não pode esquecer que o centro da sua vida é Jesus. Devemos vencer a tentação de sermos cristãos sem Jesus…!

A regra é simples: só é valido aquilo que leva a Jesus, e é apenas válido aquilo que vem de Jesus. Jesus é o centro, o Senhor, como Ele próprio diz. Isto leva-te a Jesus? Vai em frente. Este mandamento ou esta atitude leva-te a Jesus? Continua. Mas, se não te leva a Jesus e se não vem de Jesus… bem…não se sabe… é perigoso.

Mas se tu não consegues adorar Jesus, falta-te qualquer coisa. Uma regra, um sinal. A regra é: sou um bom cristão, estou no caminho do bom cristão se faço aquilo que me leva a Jesus, porque Ele é o centro. O sinal : sou capaz de adorar; a adoração. A oração de adoração perante Jesus. Que o Senhor nos ajude a compreender que apenas Ele é o Senhor, o único Senhor. E nos dê a graça de o amar tanto, de segui-Lo, de ir pelo caminho que Ele nos ensinou. Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

(Papa Francisco, Homilia do 7 de setembro de 2013.)

Noli timere!

Porventura não temos todos nós, de um modo ou de outro, medo, se deixarmos entrar Cristo totalmente em nós, se nos abrirmos completamente a Ele, medo de que Ele possa tirar-nos algo da nossa vida? Não temos porventura medo de renunciar a algo de grandioso, único, que torna a vida tão bela? Não arriscamos depois de nos encontrarmos na angústia e privados da liberdade? E mais uma vez o Papa (João Paulo II) queria dizer: Não! Quem faz entrar Cristo, nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par, se escancaram as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje, queridos jovens: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par, escancarai as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira. Amém.

(Papa Bento XVI, Sermão pelo Início do Ministério Petrino,
na Praça de São Pedro, aos 24 de abril de 2005.)

Dominus mihi adjutor! (Sal 117,6)

Ele diz-nos quem é na realidade o homem e o que ele deve fazer para ser verdadeiramente homem. Ele indica-nos o caminho, e este caminho é a verdade. Ele mesmo é simultaneamente um e outra, sendo por isso também a vida de que todos nós andamos à procura. Ele indica ainda o caminho para além da morte; só quem tem a possibilidade de fazer isto é um verdadeiro mestre de vida. O mesmo se torna visível na imagem do pastor (…) expressão do sonho de uma vida serena e simples, de que as pessoas, na confusão da grande cidade, sentiam saudade. Agora a imagem era lida no âmbito de um novo cenário que lhe conferia um conteúdo mais profundo: « O Senhor é meu pastor, nada me falta […] Mesmo que atravesse vales sombrios, nenhum mal temerei, porque estais comigo » (Sal 23[22], 1.4). O verdadeiro pastor é Aquele que conhece também o caminho que passa pelo vale da morte; Aquele que, mesmo na estrada da derradeira solidão, onde ninguém me pode acompanhar, caminha comigo servindo-me de guia ao atravessá-la: Ele mesmo percorreu esta estrada, desceu ao reino da morte, venceu-a e voltou para nos acompanhar a nós agora e nos dar a certeza de que, juntamente com Ele, acha-se uma passagem. A certeza de que existe Aquele que, mesmo na morte, me acompanha e com o seu «bastão e o seu cajado me conforta», de modo que «não devo temer nenhum mal» (cf. Sal 23[22],4): esta era a nova «esperança» que surgia na vida dos crentes.

(Papa Bento XVI, na Encíclica Spe salvi, de 30 de Novembro de 2007.)

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.
Peço Vos perdão para os que não crêem,
não adoram, não esperam e não Vos amam.

Dicite in lumine! (Mt 10:27; Lc 12:3).

Se até agora estiveste longe d’Ele, basta que faças um pequeno passo e Ele te acolherá de braços abertos. Se és indiferente, aceita arriscar: não ficarás desiludido. Se te parece difícil segui-Lo, não tenhas medo, entrega-te a Ele, podes estar seguro de que Ele está perto de ti, está contigo e dar-te-á a paz que procuras e a força para viver como Ele quer.

(Papa Francisco, na Homilía da Vigília Pascal, aos 30 de março de 2013.)

Guia-me, Afável Luz, em meio às trevas que rodeiam,
Sê Tu que me conduza!
A noite é escura; eu estou longe de casa –
Sê Tu que me conduza!
Guarda, pois, meus pés. Não Te peço poder ver
ao longe – a um passo apenas me basta.

(Beato Cardeal Newman, no poema 90 – The Pillar of  the Cloud, de 1833.)

Que passo? Um passo para o Cristo real, que é o da fé; o Cristo, que na Sua visibilidade reflecte a Divindade Invisível; recordemos o Prefácio do Natal: «dum visibiliter Deum cognoscimus, per hunc in invisibilium amorem rapiamur »; e recordemos a palavra reveladora do próprio Jesus: « Quem Me vê, vê o Pai » (Jo 14, 9). Isto é: estamos autorizados a descobrir Deus em Jesus (Cfr.Jo 1, 18)! Compreendemos nós o que isto significa? Estamos no limiar da Beleza suprema (cfr. Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 44, em: PL 36, 495). O que é a beleza (cfr. S. Th., I-II, 27, 1, 3)? Quantas palavras seriam necessárias para responder a esta pergunta elementar! Que enormes vôos deveríamos fazer para superar os níveis, muitas vezes falazes, da beleza degradada, sensível, meramente estética, para chegar ao da verdade resplandecente, dado que é tanta a Beleza do Ser fulgurante, da forma diáfana da vida plena e perfeita! Digamos apenas que Jesus Cristo é Beleza, Beleza humana e divina, Beleza da realidade, da verdade e da vida, « a Vida era a luz » (Jo1, 4). Não é uma ênfase mítica ou mística que nos leva a dar esta definição d’Ele; é o testemunho que devemos ao Evangelho.

(Papa Paulo VI, na Audiência Geral de 13 de Janeiro de 1971.)

Preparações para a Fé (2).

Chamados à salvação pela fé em Jesus Cristo, «luz verdadeira que a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9), os homens tornam-se «luz no Senhor» e «filhos da luz» (Ef 5, 8) e santificam-se pela «obediência à verdade» (1 Pd 1, 22).

Esta obediência nem sempre é fácil. Na sequência daquele misterioso pecado original, cometido por instigação de satanás, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), o homem é continuamente tentado a desviar o seu olhar do Deus vivo e verdadeiro para o dirigir aos ídolos (cf. 1 Ts 1, 9), trocando «a verdade de Deus pela mentira» (Rm 1, 25); então também a sua capacidade para conhecer a verdade fica ofuscada, e enfraquecida a sua vontade para se submeter a ela. E assim, abandonando-se ao relativismo e ao cepticismo (cf. Jo 18, 38), ele vai à procura de uma ilusória liberdade fora da própria verdade.

Mas nenhuma sombra de erro e de pecado pode eliminar totalmente do homem a luz de Deus Criador. Nas profundezas do seu coração, permanece sempre a nostalgia da verdade absoluta e a sede de chegar à plenitude do seu conhecimento. Prova-o, de modo eloquente, a incansável pesquisa do homem em todas as áreas e sectores. Demonstra-o ainda mais a sua busca do sentido da vida. O progresso da ciência e da técnica, esplêndido testemunho da capacidade da inteligência e da tenacidade dos homens, não dispensa a humanidade de perguntar-se sobre as questões religiosas mais essenciais, mas antes, estimula-a a enfrentar as lutas mais dolorosas e decisivas, que são as do coração e da consciência moral.

(Beato Papa João Paulo II, n.1 da Encíclica Veritatis Splendor, de 6 de agosto de 1993.)

Deus é a verdadeira e justa medida do homem.

(…) Há ainda outra pobreza: é a pobreza espiritual dos nossos dias, que afecta gravemente também os países considerados mais ricos. É aquilo que o meu Predecessor, o amado e venerado Bento XVI, chama a «ditadura do relativismo», que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens. E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz. Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra.

Um dos títulos do Bispo de Roma é Pontífice, isto é, aquele que constrói pontes, com Deus e entre os homens. (…) Neste trabalho, é fundamental também o papel da religião. Com efeito, não se podem construir pontes entre os homens, esquecendo Deus; e vice-versa: não se podem viver relações verdadeiras com Deus, ignorando os outros.

(Papa Francisco, no Discurso ao Corpo Diplomático, de 22 de março de 2013.)

Pax, pax! Cum non esset pax. (Jer 8, 11)

(…) A grande tentação da nossa geração é a de se cansar da verdade, que temos a ventura de possuir. Muitos dos que compreendem a gravidade e a utilidade das mudanças verificadas no campo da ciência, da técnica e da vida social, perdem a confiança no pensamento especulativo, na tradição e no magistério da Igreja. Não confiam na doutrina católica, procuram libertar-se do seu carácter dogmático, já não querem aceitar definições que sejam válidas para todos e obriguem para sempre. Iludem-se, julgando encontrar outra liberdade, não apreciando já aquela de que gozam, alterando os termos da doutrina sancionada pela Igreja ou dando-lhe interpretações novas e arbitrárias, com alarde de erudição e, mais ainda, de intolerância psicológica. Sonham, talvez, arquitectar um novo tipo de Igreja que corresponda às suas intenções, às vezes nobres e elevadas, mas que já não é aquele tipo autêntico da Igreja que Jesus Cristo fundou e, na experiência histórica, desenvolveu e aperfeiçoou. Sucede, então, que a obediência diminui. Com ela, diminui também a liberdade, característica daquele que tem fé e opera na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, e é substituída pela imperceptível submissão a outras obediências que se podem tornar pesadas e contrárias à verdadeira liberdade do filho da Igreja. Newman, o grande Newman, na conclusão da sua famosa Apologia pro vita sua, fala-nos da paz que encontrou quando se converteu à Igreja Católica. É um exemplo que devemos recordar.

(Papa Paulo VI, na Audiência Geral de 28 de Janeiro de 1970.)