Como amar todos os dias?

Peço-vos que olheis dentro do vosso coração todos os dias, a fim de encontrar a fonte de todo o amor autêntico. Jesus está sempre ali, esperando tranquilamente que nos possamos unir a Ele e escutar a sua voz. No fundo do vosso coração chama-vos a passar algum tempo com Ele na oração. Todavia este tipo de oração, a verdadeira oração, requer disciplina: exige que encontremos um momento de silêncio todos os dias. Com frequência, significa esperar que o Senhor nos fale. Também entre as ocupações e o stress da nossa vida quotidiana temos necessidade de dar espaço ao silêncio, porque é no silêncio que encontramos Deus, e é no silêncio que descobrimos quem realmente somos. E assim, descobrimos a vocação particular que Deus nos confiou para a edificação da sua Igreja e a redenção do nosso mundo.

(Papa Bento XVI, na Saudação aos jovens na Catedral de Westminster,
aos 18 de setembro de 2010.)

Nunca estamos sós.

Quando rezamos, abre-se o nosso coração, entramos em comunhão não só com Deus, mas precisamente com todos os filhos de Deus, porque somos um só. E quando nos dirigimos ao Pai no nosso ambiente interior, no silêncio e no recolhimento, nunca estamos sós. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, fazemos parte de uma grandiosa sinfonia que a comunidade cristã espalhada por todas as partes da terra e em todas as épocas eleva a Deus; sem dúvida, os músicos e os instrumentos são diferentes — e este é um elemento de riqueza — mas a melodia de louvor é uma só e está em harmonia. Então, cada vez que clamamos e dizemos: «Abbá! Pai!», é a Igreja, toda a comunhão dos homens em oração, que sustém a nossa invocação, e a nossa invocação é a invocação da Igreja.

(Papa Bento XVI, na Audiência Geral de 23 de maio de 2012.)

O ódio, a violência e a morte não têm a última palavra.

Ao drama da Sexta-Feira segue-se o silêncio do Sábado Santo, dia cheio de expectativas e de esperança. Com Maria, a Igreja vigia em oração ao lado do sepulcro, aguardando que se realize o acontecimento glorioso da Ressurreição.

Na Noite Santa da Páscoa tudo se renova em Cristo ressuscitado. De todas as partes da terra elevar-se-á ao céu o cântico do Gloria e do Alleluia, enquanto a luz irromperá nas trevas da noite. No Domingo de Páscoa exultaremos com o Ressuscitado recebendo d’Ele os votos da paz.

(Bem-aventurado Papa João Paulo II, na Audiência Geral de 16 de abril de 2003.)

Silentium magnum in terra.

Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos […]. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte. Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho […] “Eu sou o teu Deus, que por ti me fiz teu filho […] Desperta tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos: levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos“.

(Antiga homilia para Sábado Santo, citada no Catecismo da Igreja Católica, n. 635.)

O Profeta Isaías diz que no silêncio e na esperança reside nossa fortaleza (Is 30,15). Quando o Senhor silencia, e a noite e a solidão dominam nossa vida e inundam nosso coração, é que o Senhor nos vem visitar nas profundezas da nossa alma, ali onde apenas a luz da Fé alcança (e os joelhos da razão e dos sentidos se dobram). Ele vem e nos chama pelo nome como um pai chama por seu filho e o filho reconhece sua voz (Jo 10,3); Ele passa (Páscoa significa passagem, êxodo) para abrir as águas do mar intransponível que nos separam da nossa liberdade. Mas Ele não apenas vem e passa: Ele estabelece Sua morada em nós (Jo 14,23). Como? No silêncio da Fé, que nos faz esperar o que ainda não ouvimos, nem vimos com os nossos olhos, não contemplamos e nem as nossas mãos apalparam (1Jo 1,3), reside toda a nossa fortaleza, porque o Autor da Vida morto, reina vivo! “Mas é tão difícil crer sem ver”, dirá alguém. Quem crê apenas pelo que vê condena-se a uma fé do tamanho do próprio nariz, sim, porque é ele que porta os óculos quando os olhos falham. Mas quando o discípulo amado chegou ao sepulchro e o viu vazio, então ele passou a crer (Jo 20,8). Praestet fides supplementum sensuum defectui: “Venha a fé, por suplemento, os sentidos completar”. Ninguém nunca viu o Amor. E portanto, porque o Amor nos amou – quando ainda eramos pecado – Ele se deixou crucificar para nos libertar da pena imensa que pesa sobre os nossos ombros débeis.

«Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo, tende piedade de mim, pecador!»