Servo inútil, entra na Minha Glória.

Não são os que estão na luz que iluminam a luz, mas é esta que os ilumina e faz resplandecer; eles nada lhe dão, são eles que beneficiam da luz e por ela são iluminados.

Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta a Deus, porque Ele não precisa do serviço dos homens; mas àqueles que O servem e seguem, Deus dá a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna; favorece com os seus dons aqueles que O servem, precisamente porque O seguem; mas nenhum benefício recebe deles, porque é perfeito e de nada carece.

Se Deus pede o serviço dos homens, é porque, na sua bondade e misericórdia, deseja conceder os Seus dons aos que perseveram no Seu serviço; de facto, Deus de nada precisa, mas o homem é que precisa da comunhão com Deus.

A glória do homem consiste em perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por isso dizia o Senhor aos Seus discípulos: Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi, dando assim a entender que não eram eles que O glorificavam com o seu seguimento, mas que, por terem seguido o Filho de Deus, eram por Ele glorificados. E disse ainda: Quero que onde Eu estou, eles estejam também comigo, para que vejam a minha glória.

(Santo Irineu de Lyon, Contra as heresias IV, 13,4–14,1).

Um homem justo, o carpinteiro de Nazaré: modelo cristão de esposo e pai.

(…) Nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arroga para si mesmo o direito de pôr em discussão o projecto de Deus. Espera a chamada do Alto e em silêncio respeita o mistério, deixando-se orientar pelo Senhor. Quando recebe a tarefa, cumpre-a com dócil responsabilidade:  escuta solicitamente o anjo, quando se trata de tomar como esposa a Virgem de Nazaré (cf. Mt 1, 18-25), na fuga para o Egipto (cf. Mt 2, 13-15) e no regresso para Israel (cf. Mt 2, 19-23). Com poucos mas significativos traços, os evangelistas descrevem-no como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerce a autoridade familiar numa constante atitude de serviço. As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão:  uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência.

(Bem-aventurado Papa João Paulo II, na Audiência Geral de 19 de Março de 1979.)