De beata vita.

Não. Porquê ter medo da morte?
É o destino universal de todos os homens!
E na verdade, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nós somos felizes. E na verdade, este é o fim da nossa vida. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nós somos felizes; mais rápido vamos para Deus. Não é mesmo? E na verdade nós não devemos ter medo, não é mesmo? Ao contrário: é uma grande alegria para nós todos, podermos reencontrar um pai.
(…)
O passado, o presente, são coisas humanas. Em Deus não existe o passado.  Só há o presente. E quando Ele nos vê, Ele vê já toda a nossa vida. E como Ele é um ser infinitamente bom, Ele busca unicamente o nosso bem. E em tudo o que nos acontece, na verdade, nada há com que se inquietar.
(…)
Com freqüência agradeço a Deus por Ele me ter tornado cego. Tenho certeza que foi para o bem da minha alma, que Ele permitiu isto.
(…)
É uma pena que o mundo tenha perdido o sentido de Deus. É uma pena, não é mesmo? Porque as pessoas não têm mais razão de viver. Se suprimimos Deus, bem… Porquê viver?
(…)
Devemos partir sempre do princípio de que Deus é infinitamente bom; e de que tudo o que Ele faz, Ele o faz para o nosso bem. É por isso que devemos ser sempre felizes.
(…)
Um cristão não deve jamais ser triste. Porque tudo o que lhe acontece é da vontade de Deus, ou é permitido por Deus para o bem da sua alma.

(Palavras de um velho monge cartuxo, cego.
Extraído do filme-documentário O Grande silêncio.)

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Preparações para a Fé (2).

Chamados à salvação pela fé em Jesus Cristo, «luz verdadeira que a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9), os homens tornam-se «luz no Senhor» e «filhos da luz» (Ef 5, 8) e santificam-se pela «obediência à verdade» (1 Pd 1, 22).

Esta obediência nem sempre é fácil. Na sequência daquele misterioso pecado original, cometido por instigação de satanás, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), o homem é continuamente tentado a desviar o seu olhar do Deus vivo e verdadeiro para o dirigir aos ídolos (cf. 1 Ts 1, 9), trocando «a verdade de Deus pela mentira» (Rm 1, 25); então também a sua capacidade para conhecer a verdade fica ofuscada, e enfraquecida a sua vontade para se submeter a ela. E assim, abandonando-se ao relativismo e ao cepticismo (cf. Jo 18, 38), ele vai à procura de uma ilusória liberdade fora da própria verdade.

Mas nenhuma sombra de erro e de pecado pode eliminar totalmente do homem a luz de Deus Criador. Nas profundezas do seu coração, permanece sempre a nostalgia da verdade absoluta e a sede de chegar à plenitude do seu conhecimento. Prova-o, de modo eloquente, a incansável pesquisa do homem em todas as áreas e sectores. Demonstra-o ainda mais a sua busca do sentido da vida. O progresso da ciência e da técnica, esplêndido testemunho da capacidade da inteligência e da tenacidade dos homens, não dispensa a humanidade de perguntar-se sobre as questões religiosas mais essenciais, mas antes, estimula-a a enfrentar as lutas mais dolorosas e decisivas, que são as do coração e da consciência moral.

(Beato Papa João Paulo II, n.1 da Encíclica Veritatis Splendor, de 6 de agosto de 1993.)