Quem não dá Deus, dá demasiado pouco.

Também hoje o «olhar» compassivo de Cristo pousa incessantemente sobre os homens e os povos. Olha-os ciente de que o «projeto» divino prevê o seu chamamento à salvação. Jesus conhece as insídias que se levantam contra esse projeto, e tem compaixão das multidões: decide defendê-las dos lobos, mesmo à custa da sua própria vida. Com aquele olhar, Jesus abraça os indivíduos e as multidões e entrega-os todos ao Pai, oferecendo-Se a Si mesmo em sacrifício de expiação.

Iluminada por esta verdade pascal, a Igreja sabe que, para promover um desenvolvimento integral, é necessário que o nosso «olhar» sobre o homem seja idêntico ao de Cristo. De fato, não é possível de modo algum separar a resposta às necessidades materiais e sociais dos homens da satisfação das necessidades profundas do seu coração. (…) Por isso, a primeira contribuição que a Igreja oferece para o desenvolvimento do homem e dos povos não se consubstancia em meios materiais nem em soluções técnicas, mas no anúncio da verdade de Cristo que educa as consciências e ensina a autêntica dignidade da pessoa e do trabalho, promovendo a formação duma cultura que corresponda verdadeiramente a todas as exigências do homem.

(…) O jejum e a esmola, juntamente com a oração, que a Igreja propõe de modo especial no período da Quaresma, são uma ocasião propícia para nos conformarmos àquele «olhar». Os exemplos dos Santos e as múltiplas experiências missionárias que caracterizam a história da Igreja constituem indicações preciosas quanto ao melhor modo de apoiar o desenvolvimento. (…) Quem age segundo esta lógica evangélica, vive a fé como amizade com o Deus encarnado e, como Ele, provê às necessidades materiais e espirituais do próximo. Olha-o como mistério incomensurável, digno de infinito cuidado e atenção. Sabe que, quem não dá Deus, dá demasiado pouco; como dizia frequentemente a Beata Teresa de Calcutá, a primeira pobreza dos povos é não conhecer Cristo. Por isso, é preciso levar a encontrar Deus no rosto misericordioso de Cristo: sem esta perspectiva, uma civilização não é construída sobre bases sólidas.

(Papa Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2006, 29 de setembro de 2005.)

O Amor é a Verdade da Cruz.

Houve um período que ainda não foi totalmente superado em que se rejeitava o cristianismo precisamente por causa da Cruz. A Cruz fala de sacrifício dizia-se a Cruz é sinal de negação da vida. Nós, contudo, desejamos a vida inteira sem limites e sem renúncias. Queremos viver, somente viver. Não nos deixamos condicionar por preceitos nem por proibições; nós desejamos a riqueza e a plenitude assim se dizia e ainda se diz. Tudo isto parece convincente e cativante; é a linguagem da serpente que nos diz: “Não vos amedronteis! Comei tranquilamente de todas as árvores do jardim!”. Porém, o Domingo de Ramos diz-nos que o verdadeiro grande “Sim” é precisamente a Cruz, que a Cruz é a verdadeira árvore da vida. Não encontramos a vida apoderando-nos dela, mas entregando-a. O amor é um doar-se a si mesmo, e por isso é o caminho da vida verdadeira, simbolizada pela Cruz.

(Papa Bento XVI, Sermão do Domingo de Ramos, 9 de abril de 2006.)

Sentido do sofrimento.

Se um homem, se torna participante dos sofrimentos de Cristo, isso acontece porque Cristo abriu o seu sofrimento ao homem, porque Ele próprio, no seu sofrimento redentor, se tornou, num certo sentido, participante de todos os sofrimentos humanos. Ao descobrir, pela fé, o sofrimento redentor de Cristo, o homem descobre nele, ao mesmo tempo, os próprios sofrimentos, reencontra-os, mediante a fé, enriquecidos de um novo conteúdo e com um novo significado.

(Beato Papa João Paulo II, Carta Apostólica Salvifici doloris, dos 11 de fevereiro de 1984.)

Sicut et Christus.

Progredi na caridade,
segundo o exemplo de Cristo,
que nos amou
e por nós se entregou a Deus
como uma oferenda e sacrifício de agradável odor.

(Ef  5,2)

O Apóstolo nos exorta a crescer no amor, progredir na caridade. O exemplo a seguir, o modelo a imitar: Nosso Senhor Jesus Cristo. Como? O Senhor não entregou a Deus um ato ou uma obra, uma ação ou uma atividade; nem um tempo ou um discurso, um pensamento positivo ou uma boa idéia. Não. O Senhor entregou-se a si próprio. Sua oferenda a Deus foi Ele próprio. Seu sacrifício a Deus foi Ele próprio. Por quê? Porque Ele nos amou (e ama). Se o Filho de Deus entregou-se em oferenda e sacrifício a Deus, porque amou a nós, pecadores, que sacrifício e oferenda poderíamos nós oferecer a Deus, por amor a Cristo Nosso Senhor, senão a oferenda e o sacrifício de nós mesmos?!

Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória,
o minha inteligência
e toda a minha vontade,
tudo o que tenho e possuo;
O que de Vós eu recebi,
a Vós, Senhor, entrego e restituo,
para que disponhais segundo à Vossa vontade. 

Dai-me somente o vosso amor e graça,
que me bastam.

(Oração de Santo Inácio de Loyola.)

Et offertur Nomini Meo oblatio munda.

O Senhor aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo (Fl 2, 7); não teve qualquer repulsa quando lavou os pés dos Apóstolos e ainda lavou com Seu sangue os nossos pecados.

Começou com Pedro, a quem deu o primeiro lugar como chefe dos Apóstolos. (…) Mas Pedro, ao ver um acontecimento tão incomum, negou-se com a sua veemência costumeira: Senhor, queres lavar-me os pés?!… (Jo 13, 6).

[Pedro] não sabia que o Senhor pretendia com isso, traduzir a necessidade da limpeza interior, antes de receber o Corpo e o Sangue que lhes seria dado pouco depois. (…) [E ainda] pensando que a única razão era dar-lhes um exemplo de humildade, não consentiria que o Senhor se humilhasse a seus pés; respondendo energicamente: Jamais me lavarás os pés! (Jo 13,8).

Ao entender o muito que importava deixar-se lavar, ofereceu-se para que lhe lavasse não só os pés, mas também as mãos e a cabeça. O Senhor disse-lhe: Aquele que tomou banho, não tem necessidade de lavar-se; [porque] está inteiramente puro (Jo 13,10). Quando uma pessoa está limpa de pecados mortais, pode ser que se suje um pouco com pecados veniais. É necessário então que seja lavada e purificada, para receber o Corpo e o Sangue de Cristo.

(Padre Luis de la Palma s.j. (1560-1641), A Paixão do Senhor. São Paulo: Formatto Editora, 2005. p. 26-28.)

Senhor, o Corpo e o Sangue que o Senho entrega à morte para salvar a minha vida, são Puríssimos e Imaculados. Minha alma se arrasta sob o peso do pecado; o pecado anoitece minha alma. Senhor, lava-me e ficarei puro. Quero tomar parte em Teu Santo Sacrifício. Que a culpa do meu pecado não torne vã a Teu Santo Sacrifício Redemptor.

«Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo, tende piedade de mim, pecador!»