Dicite in lumine! (Mt 10:27; Lc 12:3).

Se até agora estiveste longe d’Ele, basta que faças um pequeno passo e Ele te acolherá de braços abertos. Se és indiferente, aceita arriscar: não ficarás desiludido. Se te parece difícil segui-Lo, não tenhas medo, entrega-te a Ele, podes estar seguro de que Ele está perto de ti, está contigo e dar-te-á a paz que procuras e a força para viver como Ele quer.

(Papa Francisco, na Homilía da Vigília Pascal, aos 30 de março de 2013.)

Guia-me, Afável Luz, em meio às trevas que rodeiam,
Sê Tu que me conduza!
A noite é escura; eu estou longe de casa –
Sê Tu que me conduza!
Guarda, pois, meus pés. Não Te peço poder ver
ao longe – a um passo apenas me basta.

(Beato Cardeal Newman, no poema 90 – The Pillar of  the Cloud, de 1833.)

Que passo? Um passo para o Cristo real, que é o da fé; o Cristo, que na Sua visibilidade reflecte a Divindade Invisível; recordemos o Prefácio do Natal: «dum visibiliter Deum cognoscimus, per hunc in invisibilium amorem rapiamur »; e recordemos a palavra reveladora do próprio Jesus: « Quem Me vê, vê o Pai » (Jo 14, 9). Isto é: estamos autorizados a descobrir Deus em Jesus (Cfr.Jo 1, 18)! Compreendemos nós o que isto significa? Estamos no limiar da Beleza suprema (cfr. Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 44, em: PL 36, 495). O que é a beleza (cfr. S. Th., I-II, 27, 1, 3)? Quantas palavras seriam necessárias para responder a esta pergunta elementar! Que enormes vôos deveríamos fazer para superar os níveis, muitas vezes falazes, da beleza degradada, sensível, meramente estética, para chegar ao da verdade resplandecente, dado que é tanta a Beleza do Ser fulgurante, da forma diáfana da vida plena e perfeita! Digamos apenas que Jesus Cristo é Beleza, Beleza humana e divina, Beleza da realidade, da verdade e da vida, « a Vida era a luz » (Jo1, 4). Não é uma ênfase mítica ou mística que nos leva a dar esta definição d’Ele; é o testemunho que devemos ao Evangelho.

(Papa Paulo VI, na Audiência Geral de 13 de Janeiro de 1971.)

Pax, pax! Cum non esset pax. (Jer 8, 11)

(…) A grande tentação da nossa geração é a de se cansar da verdade, que temos a ventura de possuir. Muitos dos que compreendem a gravidade e a utilidade das mudanças verificadas no campo da ciência, da técnica e da vida social, perdem a confiança no pensamento especulativo, na tradição e no magistério da Igreja. Não confiam na doutrina católica, procuram libertar-se do seu carácter dogmático, já não querem aceitar definições que sejam válidas para todos e obriguem para sempre. Iludem-se, julgando encontrar outra liberdade, não apreciando já aquela de que gozam, alterando os termos da doutrina sancionada pela Igreja ou dando-lhe interpretações novas e arbitrárias, com alarde de erudição e, mais ainda, de intolerância psicológica. Sonham, talvez, arquitectar um novo tipo de Igreja que corresponda às suas intenções, às vezes nobres e elevadas, mas que já não é aquele tipo autêntico da Igreja que Jesus Cristo fundou e, na experiência histórica, desenvolveu e aperfeiçoou. Sucede, então, que a obediência diminui. Com ela, diminui também a liberdade, característica daquele que tem fé e opera na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, e é substituída pela imperceptível submissão a outras obediências que se podem tornar pesadas e contrárias à verdadeira liberdade do filho da Igreja. Newman, o grande Newman, na conclusão da sua famosa Apologia pro vita sua, fala-nos da paz que encontrou quando se converteu à Igreja Católica. É um exemplo que devemos recordar.

(Papa Paulo VI, na Audiência Geral de 28 de Janeiro de 1970.)