Lumen ad revelationem.

Toda forma dada por Deus às criaturas possui eficácia em relação a algum ato determinado, que lhe é próprio, e além do qual não pode ir senão reforçado por outra forma que lhe seja acrescentada. Assim, a água não pode esquentar se não for aquecida pelo fogo. Do mesmo modo, o intelecto humano tem uma forma determinada, a luz inteligível, que por si só é suficiente para conhecer algumas coisas inteligíveis: aqueles cujo conhecimento podemos obter por meio dos sentidos (sensibilia). Mas quando se trata de conhecimento de coisas de uma ordem superior (altiora) (à sensível), então o intelecto humano não as pode conhecer, senão fortalecido (perficiatur) por uma luz mais forte (fortiori lumine), a luz da , ou da profecia; é isto que se chama luz da graça (lumen gratiae), porque é acrescentada à natureza (do homem).

Pelo que se deve dizer que para conhecer uma verdade, de qualquer ordem que seja, o homem precisa do auxílio de Deus que o mova ao seu ato. Porém, uma nova iluminação (da graça) acrescentada à luz natural do intelecto humano não é requerida para conhecer todas as espécies de verdade, mas somente para algumas verdades que ultrapassam a ordem do conhecimento natural.

(Santo Tomás de Aquino, no Tratado da Graça, in Suma Teológica Ia-IIae, q.109, a.1, co.)

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