Ut inimícos sanctæ Ecclésiæ humiliare dignéris. | Te rogámus, áudi nos.

A voz de Jesus passa pela nossa mente e vai ao coração. Os doutores respondem somente com a cabeça. Não sabem que a Palavra de Deus fala ao coração, como a Maria, que acolheu com humildade as palavras do Senhor.
A Palavra de Jesus vai ao coração porque é a Palavra de amor, é palavra bela e traz o amor, e nos faz amar.
Quando entra a ideologia na Igreja, quando entra a ideologia na inteligência do Evangelho, não se entende mais nada. Os ideólogos falsificam o Evangelho. Toda interpretação ideológica, de onde quer que ela venha, é uma falsificação do Evangelho. E esses ideólogos – como vimos na história da Igreja – acabam por se tornar intelectuais sem talento, moralistas sem bondade. Nem falemos de beleza, porque disso eles não entendem nada.
A estrada do amor, a estrada do Evangelho é simples: é a estrada que os Santos entenderam: Os santos é que levam a Igreja adiante! A estrada da conversão, da humildade, do amor, do coração, da beleza… Peçamos hoje ao Senhor pela Igreja: que o Senhor a liberte de qualquer interpretação ideológica e abra o coração da Igreja, da nossa Mãe Igreja, ao Evangelho simples, àquele Evangelho puro que nos fala de amor, que traz o amor e é tão bonito! E que nos torna mais belos, com a beleza da santidade. Rezemos hoje pela Igreja!

(Papa Francisco, na Homilia da Santa Missa de 19 de Abril de 2013.)

A Igreja nasceu do coração aberto de Cristo. Cristo é o coração da Igreja.

Diz Guardini: A Igreja «não é uma instituição pensada e construída sob um projecto…. mas uma realidade viva… Ela vive ao longo do tempo, no futuro, como todos os seres vivos, transformando-se… E no entanto na sua natureza permanece sempre a mesma, e o seu coração é Cristo». Foi a nossa experiência, ontem, parece-me, na Praça: ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo e vive realmente pela força de Deus. Ela está no mundo, mas não é do mundo: é de Deus, de Cristo, do Espírito. Vimos isto ontem. Por isso é verdadeira e eloquente também outra famosa expressão de Guardini: «A Igreja desperta nas almas». A Igreja vive, cresce e desperta nas almas, que — como a Virgem Maria — acolheram a Palavra de Deus e a conceberam por obra do Espírito Santo; oferecem a Deus a própria carne e, precisamente na sua pobreza e humildade, tornam-se capazes de gerar Cristo hoje no mundo. Através da Igreja, o Mistério da Encarnação permanece para sempre presente. Cristo continua a caminhar através dos tempos e em todos os lugares.

Permaneçamos unidos, queridos Irmãos, neste Mistério: na oração, especialmente na Eucaristia quotidiana, e assim servimos a Igreja e a humanidade inteira. Esta é a nossa alegria, que ninguém nos pode tirar.

(Papa Bento XVI, Discurso de despedida aos Cardeais, de 28 de Fevereiro de 2013.)

Pax, pax! Cum non esset pax. (Jer 8, 11)

(…) A grande tentação da nossa geração é a de se cansar da verdade, que temos a ventura de possuir. Muitos dos que compreendem a gravidade e a utilidade das mudanças verificadas no campo da ciência, da técnica e da vida social, perdem a confiança no pensamento especulativo, na tradição e no magistério da Igreja. Não confiam na doutrina católica, procuram libertar-se do seu carácter dogmático, já não querem aceitar definições que sejam válidas para todos e obriguem para sempre. Iludem-se, julgando encontrar outra liberdade, não apreciando já aquela de que gozam, alterando os termos da doutrina sancionada pela Igreja ou dando-lhe interpretações novas e arbitrárias, com alarde de erudição e, mais ainda, de intolerância psicológica. Sonham, talvez, arquitectar um novo tipo de Igreja que corresponda às suas intenções, às vezes nobres e elevadas, mas que já não é aquele tipo autêntico da Igreja que Jesus Cristo fundou e, na experiência histórica, desenvolveu e aperfeiçoou. Sucede, então, que a obediência diminui. Com ela, diminui também a liberdade, característica daquele que tem fé e opera na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, e é substituída pela imperceptível submissão a outras obediências que se podem tornar pesadas e contrárias à verdadeira liberdade do filho da Igreja. Newman, o grande Newman, na conclusão da sua famosa Apologia pro vita sua, fala-nos da paz que encontrou quando se converteu à Igreja Católica. É um exemplo que devemos recordar.

(Papa Paulo VI, na Audiência Geral de 28 de Janeiro de 1970.)