Quem é Jesus? (1)

A quem O censurava de Se sentir maior do que Abraão, por ter prometido a superação da morte a quantos observam a Sua palavra, Ele responde: «O vosso pai Abraão exultou com a ideia de ver o Meu dia; viu-o e rejubilou». Abraão estava, pois, orientado para a vinda de Cristo. Segundo o desígnio divino, a alegria de Abraão pelo nascimento de Isaac e pelo seu renascimento depois do sacrifício, era uma alegria messiânica: anunciava e prefigurava a alegria definitiva que haveria de ser oferecida pelo Salvador.

(S. João Paulo II, Audiência do 3 de Dezembro de 1997.)

Quem observa a minha palavra nunca mais verá a morte. Estas palavras indicam, ao mesmo tempo, o que é o Evangelho. É o livro da vida eterna, para onde se dirigem os inumeráveis caminhos do terreno peregrinar do homem. Cada um de nós avança por um desses caminhos. O Evangelho elucida-nos sobre todos eles. E é nisto que precisamente consiste o mistério deste livro sagrado. Nasce daqui o facto de ele ser muito lido, e é daqui que provém a sua atualidade. A luz do Evangelho, a nossa vida adquire nova dimensão. Adquire o seu sentido definitivo. Por isso a própria vida se revela como uma passagem.

(S. João Paulo II, Homilia do 5 de Abril de 1979.)

«Em verdade, em verdade, vos digo: antes de Abraão existir, Eu Sou». A afirmação sublinha o contraste entre o tornar-se de Abraão e o ser de Jesus. O verbo «genésthai», usado no texto grego com referência a Abraão, significa de facto «tornar-se» ou «vir à existência»: é o verbo adequado para designar o modo de existir próprio das criaturas. Ao contrário, só Jesus pode dizer: «Eu Sou», indicando com esta expressão a plenitude do ser, que permanece acima de cada tornar-se. Assim, exprime a consciência de possuir um ser pessoal eterno. Aplicando a Si a expressão «Eu Sou», Jesus faz Seu o nome de Deus, revelado a Moisés no Êxodo.

(S. João Paulo II, Audiência do 26 de Novembro de 1997.)

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Ut unum sint.

Em Babel, segundo a narração bíblica, tiveram início a dispersão dos povos e a confusão das línguas, fruto do gesto de soberba e de orgulho do homem que queria construir, somente com as suas forças e sem Deus, «uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus» (Gn 11, 4). No Pentecostes, estas divisões são superadas. Já não há orgulho em relação a Deus, nem fechamento de uns aos outros, mas abertura a Deus, saída para anunciar a sua Palavra: uma língua nova, do amor, que o Espírito Santo derrama nos corações (cf. Rm 5, 5); uma língua que todos podem compreender e que, acolhida, pode ser expressa em cada existência e cultura. A língua do Espírito, do Evangelho, é a língua da comunhão, que convida a superar fechamentos e indiferenças, divisões e oposições. Cada um deve perguntar: como me deixo guiar pelo Espírito Santo, de modo que a minha vida e o meu testemunho de fé seja de unidade e comunhão? Levo a palavra de reconciliação e amor, que é o Evangelho, aos ambientes onde vivo? Às vezes parece repetir-se hoje o que aconteceu em Babel: divisões, incapacidade de compreensão, rivalidades, inveja e egoísmo. Que faço na minha vida? Crio unidade ao meu redor? Ou divido com mexericos, críticas e inveja. O que faço? Pensemos nisto. Levar o Evangelho é anunciar e viver em primeiro lugar a reconciliação, o perdão, a paz, a unidade e o amor que o Espírito Santo nos dá. Recordemos as palavras de Jesus: «Disto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo13, 34-35).

(Papa Francisco, na Audiência Geral de 22 de maio de 2013.)

Ut inimícos sanctæ Ecclésiæ humiliare dignéris. | Te rogámus, áudi nos.

A voz de Jesus passa pela nossa mente e vai ao coração. Os doutores respondem somente com a cabeça. Não sabem que a Palavra de Deus fala ao coração, como a Maria, que acolheu com humildade as palavras do Senhor.
A Palavra de Jesus vai ao coração porque é a Palavra de amor, é palavra bela e traz o amor, e nos faz amar.
Quando entra a ideologia na Igreja, quando entra a ideologia na inteligência do Evangelho, não se entende mais nada. Os ideólogos falsificam o Evangelho. Toda interpretação ideológica, de onde quer que ela venha, é uma falsificação do Evangelho. E esses ideólogos – como vimos na história da Igreja – acabam por se tornar intelectuais sem talento, moralistas sem bondade. Nem falemos de beleza, porque disso eles não entendem nada.
A estrada do amor, a estrada do Evangelho é simples: é a estrada que os Santos entenderam: Os santos é que levam a Igreja adiante! A estrada da conversão, da humildade, do amor, do coração, da beleza… Peçamos hoje ao Senhor pela Igreja: que o Senhor a liberte de qualquer interpretação ideológica e abra o coração da Igreja, da nossa Mãe Igreja, ao Evangelho simples, àquele Evangelho puro que nos fala de amor, que traz o amor e é tão bonito! E que nos torna mais belos, com a beleza da santidade. Rezemos hoje pela Igreja!

(Papa Francisco, na Homilia da Santa Missa de 19 de Abril de 2013.)

In manus peccatorum.

Terminada a oração, o Senhor levantou-se, e novamente encontrou os apóstolos dormindo. Despertou-os com uma aparente ironia: Dormi agora e repousai! (Mt 26, 45). Com isto queria dizer: “Ótimo lugar e ocasião para dormir; o inimigo está perto para me prender; dormi e descansai se podeis; solicitei que rezassem e vigiassem comigo, mas agora é tarde”. Como não se levantavam, gritou: Basta! Veio a hora! O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores (Mc 14, 41).

Ultrajado era o sentimento do Senhor, por aqueles que o prendiam, e maior ainda: por Judas; pois era um apóstolo, e o vendia por pouco valor. Judas não barganhou, conformou-se com o valor pago: Que quereis dar-me e vo-Lo entregarei (Mt 26, 15). Agora, o Senhor não ocultaria mais o desgosto pelo traidor: Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há-de entregar (Mc 14, 42); este não perdeu tempo e nem está dormindo.

(Padre Luis de la Palma s.j. (1560-1641), A Paixão do Senhor. São Paulo: Formatto Editora, 2005. p. 57.)

São minhas as mãos pelas quais Ele é entregue, e às quais Ele é entregue. Eu ultrajo Sua Alma. O horror do meu pecado O faz exclamar: Sou um verme, e não homem; sou o opróbrio dos homens e a abjeção da plebe. Com minhas mãos eu vou pregar Suas Santas e Veneráveis Mãos Inocentes no lenho da cruz. Seu Sangue cairá sobre mim.

«Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo, tende piedade de mim, pecador!»