O Mistério da oração de Jesus (1): Incarnationis Mysterium.

Deus poderia ter salvo o mundo por um ato de Sua Omnipotência, do mesmo modo como Ele o criou do nada (ex nihilo), ou ainda, pela Sua mesma Omnipotência, há-de transformar o mundo quando Jesus vier ao seu encontro quando o tempo chegar ao seu fim, e operará a separação eterna e definitiva entre o bem e o mal. Mas Ele não quis salvar o mundo por meios próprios à Sua Omnipotência. Isso como que esmagaria o homem, submetendo-o ao peso infinito de Sua Grandeza. Não. Deus quis salvar o mundo pela humildade de uma oração. Ele quis salvar os homens por meios próprios aos homens, por uma oração que Jesus rezará como homem -, como Deus, Jesus não pode senão atender às orações. Quando, porém, Ele reza como homem, é um Deus quem reza. Aquele que nasceu no Natal, Ele é Deus, mas é como homem que Ele vem ao mundo. Aquele que sofre e morre na Sexta-Feira Santa, é como homem que Ele morre, mas Ele é Deus. É um Deus que ressuscita no dia da Páscoa, mas Ele ressuscita como homem, não como Deus. Eis todo mistério da Encarnação.

Como Jesus realmente fez-se homem e, portanto, tem a natureza humana, Ele pôde elevar aos Céus, desde sua natureza humana, uma súplica. Súplica humana, sim, mas que, em sendo feita por um “eu”, um “eu” que é aquele do Filho de Deus, tem um valor infinito, insondável.

(Cardeal Charles Journet (1891-1975), in “Entretiens sur la prière”, Ed. Parole et Silence, 2006, pág. 32-33. Grifos do autor. Tradução nossa.)

A glória do homem é Deus.

Na crise atual que atinge não apenas a economia, mas vários setores da sociedade, a Encarnação do Filho de Deus nos fala de quanto o homem é importante para Deus e Deus para o homem. Sem Deus o homem acaba por deixar prevalecer o seu egoísmo sobre a solidariedade e sobre o amor, as coisas materiais sobre os valores, o ter sobre o ser. É preciso voltar para Deus para que o homem volte a ser homem. Com Deus mesmo nos momentos difíceis, de crise, o horizonte da esperança não desaparece: a Encarnação nos diz que jamais estamos sozinhos, Deus entrou em nossa humanidade e nos acompanha.

(Papa Bento XVI, Homilía de 4 de Outubro de 2012.)