Nada te turbe.

Guarda-te de cair na agitação ao lutar contra as tentações, pois isso só as fortalecerá. É preciso tratá-las com desprezo e não lhes ligar. Volta o teu pensamento para Jesus crucificado, para o Seu Corpo deposto nos teus braços e diz: «Eis a minha esperança, a fonte da minha alegria! Uno-me a Ti com todo o meu ser, e não Te deixarei enquanto não me colocares em segurança.»

(São Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
Ep 3, 626 e 570; CE 34)

Noli timere!

Porventura não temos todos nós, de um modo ou de outro, medo, se deixarmos entrar Cristo totalmente em nós, se nos abrirmos completamente a Ele, medo de que Ele possa tirar-nos algo da nossa vida? Não temos porventura medo de renunciar a algo de grandioso, único, que torna a vida tão bela? Não arriscamos depois de nos encontrarmos na angústia e privados da liberdade? E mais uma vez o Papa (João Paulo II) queria dizer: Não! Quem faz entrar Cristo, nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par, se escancaram as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje, queridos jovens: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par, escancarai as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira. Amém.

(Papa Bento XVI, Sermão pelo Início do Ministério Petrino,
na Praça de São Pedro, aos 24 de abril de 2005.)

Apesar de pecadores…

São Bernardo diz numa bela homilia: «Por estas feridas [de Jesus], posso saborear o mel dos rochedos e o azeite da rocha duríssima, isto é, posso saborear e ver como o Senhor é bom (Dt 32,13; Sl 33,9).» É precisamente nas chagas de Jesus que vivemos seguros; nelas se manifesta o amor imenso do seu coração. Tomé compreendera-o. São Bernardo interroga-se: «Mas com que poderei contar? Com os meus méritos?» Todo «o meu mérito está na misericórdia do Senhor. Nunca serei pobre de méritos, enquanto Ele for rico de misericórdia: se são abundantes as misericórdias do Senhor, também são muitos os meus méritos». Importante é a coragem de me entregar à misericórdia de Jesus, de confiar na sua paciência, de me refugiar sempre nas feridas do seu amor. […] Talvez algum de nós possa pensar: o meu pecado é tão grande, que o meu afastamento de Deus é como o do filho mais novo da parábola, a minha incredulidade como a de Tomé; não tenho coragem para voltar, para pensar que Deus me possa acolher e esteja à espera precisamente de mim. […] Para Deus, nós não somos números; somos importantes – ou melhor, somos o que Ele tem de mais importante; apesar de pecadores, somos aquilo que Ele leva mais a peito.

(Papa Francisco, Sermão da Entronização do Santo Padre,
em São João de Latrão, aos 7 de abril de 2013.)

De beata vita.

Não. Porquê ter medo da morte?
É o destino universal de todos os homens!
E na verdade, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nós somos felizes. E na verdade, este é o fim da nossa vida. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nós somos felizes; mais rápido vamos para Deus. Não é mesmo? E na verdade nós não devemos ter medo, não é mesmo? Ao contrário: é uma grande alegria para nós todos, podermos reencontrar um pai.
(…)
O passado, o presente, são coisas humanas. Em Deus não existe o passado.  Só há o presente. E quando Ele nos vê, Ele vê já toda a nossa vida. E como Ele é um ser infinitamente bom, Ele busca unicamente o nosso bem. E em tudo o que nos acontece, na verdade, nada há com que se inquietar.
(…)
Com freqüência agradeço a Deus por Ele me ter tornado cego. Tenho certeza que foi para o bem da minha alma, que Ele permitiu isto.
(…)
É uma pena que o mundo tenha perdido o sentido de Deus. É uma pena, não é mesmo? Porque as pessoas não têm mais razão de viver. Se suprimimos Deus, bem… Porquê viver?
(…)
Devemos partir sempre do princípio de que Deus é infinitamente bom; e de que tudo o que Ele faz, Ele o faz para o nosso bem. É por isso que devemos ser sempre felizes.
(…)
Um cristão não deve jamais ser triste. Porque tudo o que lhe acontece é da vontade de Deus, ou é permitido por Deus para o bem da sua alma.

(Palavras de um velho monge cartuxo, cego.
Extraído do filme-documentário O Grande silêncio.)